Câncer de Mama
Marianna Greca

Bolhas de Sabão

Qua, 19/09/2012 - 08h00 - 0 comentário

Bolhas de Sabão

Foto: Drew Myers/Corbis


Quando eu era criança, brincando de fazer bolinhas de sabão na casa da minha avó, fiz uma pequena descoberta que mudou minha visão sobre o mundo.

Eu observei que, todas as bolinhas eram, independente do formato, beleza e tempo de duração, finitas.

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Alguns anos atrás, essa constatação adquiriu um novo sentido. Uma professora da faculdade propôs o seguinte exercício:

Ao encontrar um problema ou frustração, a pergunta que deve ser feita é: "sinceramente, o que é que está me incomodando?".

E quer saber a minha resposta?

Tudo é efêmero demais para o meu gosto. Aquela sensação de "acabou", sabe? O presente já é passado.

E eu, com seis anos de idade, amava cada bolhinha de sabão como se fosse a última. E meu esforço para sua preservação era sincero, desesperado.

E frustrado.

E mais difícil que preservar a bolhinha de sabão, era me conformar que essa conquista nunca se concretizaria.

Não importava o meu merecimento, dor e ânsia. Porque a ausência daquela bolinha de sabão, nada tem a ver comigo. Ela acabou, porque, assim como tudo na vida, é finita.

O problema é que toda ausência é, inexoravelmente, irreparável. Mas, ao mesmo tempo, seria injusto não mencionar a quantidade de bolhas de sabão que infestavam a casa da minha avó naquela brincadeira. Na dor da ausência, às vezes não percebemos a riqueza.

E como ensina a história da caixa de pandora da mitologia grega, quando todos os males escapam do nosso controle, a esperança sempre permanece no fundo da caixa.

E o que eu mais gostava na brincadeira das bolhas de sabão era que o formato da próxima sempre me surpreendia. Eu tinha em mãos infinitas possibilidades. E elas continuarão sendo assim, enquanto houver ação minha. Isso sim tem a ver comigo.

E aí? O que, de fato, está te incomodando?

Como diria Charles Chaplin, cante, chore, dance, ria, viva a vida intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. A vida é uma peça que não permite ensaios. Não espere. O presente de hoje, muito em breve, também será apenas uma lembrança. O tempo é tão curto quanto a existência de uma bolha de sabão.

O ar, o sabão, e as formas estão aí. E o que você está esperando para preencher a sua vida com felicidade?

*Texto escrito e lido na homenagem aos ausentes, na formatura de Publicidade e Propaganda PUCPR, em 2011.

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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