Unhas decoradas

Bytes para o Amor

Seg, 16/08/2010 - 00h59    |   Reportar abuso
Por Marcia


Já declarei meu amor pela internet várias vezes. Esse mundo ilimitado e sem fronteiras de informações, pessoas e coisas, me fascina. Nesse universo de gigabytes, as pessoas podem ser o que quiserem, podem mostrar o seu talento, podem estudar, jogar, transar, discordar, trair, brigar e amar. Tudo o que movimenta essa realidade pararela da nossa vida está, de fato, dentro de nós, não nos bytes! Esses sentimentos são tão reais, quanto a vida que continuamos a viver, quando desligamos o computador. Assim, por ser um mundo criado por nós, ele sobrevive de sonhos e esperanças de muitos, da ganância e cobiça de outros, da inveja e do ódio de alguns e da fé e criatividade de poucos.



Saimos de uma era de compartilhamento e entramos num tempo de reclusão. Nos anos 60 e 70, o mundo caminhava para uma unidade. A sociedade pregava a paz e o amor, houve a liberação sexual, as amizades eram sólidas e duradouras. Na contramão do que se pensava, o comportamento humano não seguiu essa linha de comunhão. Atualmente, o padrão é isolar-se um grupo seleto e muito restrito. Para um número cada vez maior de pessoas,  esse grupo resume-se apenas aos familiares. Achava-se que o “liberou geral” do passado fosse encontrar os maiores adeptos no futuro.
E essa liberdade de expressão e comportamento só encontrou espaço no mundo virtual, onde podemos manter seguros nossa integridade e até nossa identidade. Numa sociedade que nos cobra padrões de comportamento, consumo, beleza e relacionamento, muitos não conseguem ser, nem ter, nem fazer tudo o que realmente gostariam, nem tão pouco se encaixar nesses rígidos padrões.
Como na origem da nossa existência, quando para sobreviver nos esquivávamos dos predadores. Hoje nos esquivamos de relacionamentos ou os mantemos superficiais para nos protegermos. Muitos os mantém apenas quando há algum interesse. Tornamos-nos predadores de nós mesmos. Caçando inimigos, aniquilando amizades, destruindo o planeta. Muitos motivos para justificar uma tristeza generalizada, que tem nos assolado cada vez mais.
Para fugir do mundo, que infelizmente não abastece a todos na mesma proporção, que a internet foi criada. Entre tantos motivos para estar online, um deles é o amor. Encontrar a tampa da nossa panela por aqui, tem sido mais comum, que na própria vida real! E digo isso por experiência própria.

Esse mês comemoro 9 anos com o Mário, que conheci por aqui. Não estava procurando relacionamentos, pois havia saído de um recentemente, mas numa brincadeira me cadastrei no falecido Alma Gêmea do Terra. Recebi alguns e-mails, mas o dele foi sem dúvida o mais engraçado, mas obviamente colado para várias pretendentes. Tão óbvio, que deletei. Passados alguns dias, porém, recebi outro e-mail dele, afirmando ter havido algum engano, pois eu não tinha respondido o primeiro e aquilo não podia ser possível. Achei hilário e resolvi ser engraçada também. Disse a ele, que eu gostava de homens determinados, e se ele de fato tivesse interessado, que procurasse por mim: Marcia – seguros – concessionária de carros franceses em SP.
Alguns dias depois, ele me ligou no trabalho. Disse não saber se comemorava ou me xingava, já que tinha passado os últimos dias ligando para concessionárias. Posso dizer que minha alma gêmea me encontrou. Somos do mesmo signo – ele faz aniversário um dia depois de mim -, temos os mesmos gostos por música, comida, filmes, arte e política. Só não no futebol! Mas, isso também não importa, porque nenhum dos dois acompanha o esporte. Ele é um ser muito especial. Generoso, amigo, dedicado, batalhador, inteligente ao extremo. Teimoso feito mula! Duro e cortante com as palavras, algumas vezes… mas extremamente sincero e honesto.
Essa propaganda toda não é para despertar a cobiça. Opa! Nem pensar… aliás, ele pode ser bem chato, viu! E quem não é? Eu também sou uma “chatonilda de galocha”, mas encontrei alguém para dividir essa vida louca. Tivemos 3 filhos lindos de morrer! E ele adotou, como filha do coração, a Olívia, minha filha do primeiro casamento. Eu agradeço muito por ele ter me encontrado. E isso só aconteceu, porque eu estava aberta e disposta a ser feliz.
Então, embora o mundo não  incentive a busca pelo amor e pela amizade verdadeira ultimamente, eu acho que as pessoas não devem desistir de procurá-los. A internet facilitou e ampliou a busca. No Google tem de tudo! A sua cara-metade pode estar no resultado dessa busca! Seja na vida real ou virtual, o importante é estar aberto e disposto a dividir, dedicar, ajudar e unir. Tomando-se todos os cuidados necessários, os encontros pela internet podem ser muito interessantes. Haja vista que,  primeiramente o que se conhece é nossa beleza interior. Claro que tem alguns doidos e mentirosos! Mas, e na vida real? Não têm?

Algumas pessoas passam por relacionamentos tortuosos, tão decepcionantes, que as impedem de tentar buscar um novo amor. O sofrimento fica marcado no coração, que mesmo magoado, não pode ficar endurecido. A experiência ruim não deve nos impedir de buscar a felicidade.
Essa felicidade tem estar primeiramente dentro de nós. Nada de idealizar o outro. Responsabilizá-lo por nossa tormenta ou alegria. Somos responsáveis por nossas próprias tempestades, quando condicionamos nossa satisfação  ao outro. Quem nos fere, fere porque permitimos. O amor que cega e oprime nossa identidade não é o amor verdadeiro. 
No genial texto de Arnaldo Jabor sobre o amor, achei a mais perfeita descrição:


“(…) o fundo e inexplicável amor acontece quando você “cessa”, por brevíssimos instantes. A possessividade cessa e, por segundos, ela fica compassiva. Deixamos o amado ser o que é e o outro é contemplado em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de “compaixão” pelo nosso desamparo.
Esperamos do amor essa sensação de eternidade. Queremos nos enganar e achar que haverá juventude para sempre, queremos que haja sentido para a vida, que o mistério da “falha” humana se revele, queremos esquecer, melhor, queremos “não-saber” que vamos morrer, como só os animais não sabem. O amor é uma ilusão sem a qual não podemos viver. Como os relâmpagos, o amor nos liga entre a Terra e o céu. Mas, como souberam os grandes poetas como Cabral e Donne, a plenitude do amor não nos faz virar “anjos”, não. O amor não é da ordem do céu, do espírito. O amor é uma demanda da terra, é o profundo desejo de vivermos sem linguagem, sem fala, como os animais em sua paz absoluta. Queremos atingir esse “absoluto”, que está na calma felicidade dos animais.” Arnaldo Jabor


Post original do Blog Mamãe Recomenda > Veja este e outros post's acesse:
http://mamaerecomenda.wordpress.com/2010/08/16/bytes-para-o-amor-2/





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