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Cientistas americanos conseguem ler DNA do feto

Qui, 21/06/2012 - 05h00 - 0 comentário

Cientistas americanos conseguem ler DNA do feto

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

A partir de amostras de sangue da gestante e da saliva do pai, cientistas da Universidade de Washington, em Seattle, conseguiram determinar, pela primeira vez, todo o genoma de um feto. O estudo foi publicado no periódico "Science Translational Medicine", no início de Junho.

O levantamento só foi possível porque os pedaços do DNA do bebê circulam no sangue da mãe durante a gestação, de forma fragmentada e em pequena quantidade.

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Só essa informação não seria suficiente para chegar ao genoma completo. Por isso, os cientistas também usaram o genoma do pai e o da mãe para balizar a análise.

A equipe, liderada por Jay Shendure e Jacob Kitzman, usou uma série de técnicas estatísticas comparativas para "remontar" toda a sequência de letras químicas de DNA que compõe o genoma fetal. Por exemplo, se os genitores tinham a mesma versão de um gene, aumentava a chance de que o feto também herdara esse gene.

Já era possível obter a sequência genética de um feto coletando diretamente células da placenta ou amostras do líquido amniótico, a "bolsa d’água" que protege o bebê na barriga da mãe. Mas esses métodos são perigosos, pois podem desencadear um aborto espontâneo.

Sem esse risco, a nova técnica pode permitir o diagnóstico das chamadas doenças mendelianas, como fibrose cística, distrofia muscular de Duchenne e certos problemas mentais, causados pela mutação de um único gene.

Caso o método venha se tornar disponível comercialmente, pode gerar polêmicas, pois a oportunidade pode levar os pais a não quererem seus filhos se houver alguma possibilidade de deformação ou deficiência genética, que nada tem a ver com questões médicas.


Apesar das possibilidades e riscos, os pesquisadores advertem sobre as limitações das novas técnicas. "Nossa capacidade para gerar dados está superando nossa capacidade de interpretá-los de maneira que sejam úteis para os pacientes. A interpretação do genoma, mesmo para doenças mendelianas, ainda é um desafio", escrevem os pesquisadores.

Por Carmem Sanches

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