
A endometriose ataca milhões de mulheres no mundo inteiro de maneira progressiva. “Endometriose é a presença de endométrio (tecido que reveste o útero) fora do seu local normal de implantação.
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A doença, que costuma atingir mulheres entre 15 e 35 anos (fase chamada de idade reprodutiva) e com menstruação regular, pode causar infertilidade quando chega a um estágio elevado. “Uma das teses sobre o seu aparecimento, que prevalece desde 1927, é a teoria do refluxo menstrual. Ou seja, fragmentos do endométrio que se destacaram, refluem por dentro das trompas de uma forma retrógrada, caindo dentro do abdômen e ali se implantando e desenvolvendo”, acrescenta o especialista.
Se o organismo não consegue eliminar este sangue armazenado, surge a endometriose. A partir dos anos 80, algumas pesquisas apontaram que ela pode aparecer devido a alterações do sistema imunológico. Essa parte do corpo é responsável pelo mecanismo de defesa do organismo e está diretamente ligada ao sistema nervoso central, responsável pelas emoções do indivíduo. Quando algumas sensações negativas chegam ao sistema nervoso central, como estresse, pânico, cansaço e preocupação, o imunológico diminui seu funcionamento e abre espaço para doenças físicas. Por isso, ela é considerada a “doença da mulher moderna”.
Os sintomas aparecem durante o período menstrual e são fáceis de identificar: dores para evacuar e urinar, cólicas e dores nas relações sexuais. A falta de tratamento da doença pode levar à infertilidade. Já as causas ainda não são bem definidas.
O método mais eficaz para identificar o problema é a biópsia feita durante a videolaparoscopia, que consiste na introdução de instrumentos cirúrgicos através de pequenos orifícios do abdômen. A incisão é feita abaixo do umbigo e a presença de uma microcâmera possibilita reconhecer a doença, seu estudo anatomopatológico e o grau de estágio, que varia de mínima a severa. Segundo Cláudio Basbaum, esse é o melhor tratamento da endometriose, em qualquer estado que esteja. Além de diagnosticar, ele classifica e trata da melhor forma até mesmo as mais profundas, que se localizam nos órgãos da pelve.
Os tratamentos que têm capacidade de suspender a menstruação por tempo indeterminado são grandes coadjuvantes na prevenção do problema. “Pode ser feito o bloqueio menstrual com o uso da pílula anticoncepcional em caráter contínuo. Mesmo as que já têm a doença, podem ser adeptas a esse método, pois assim o endométrio não descama e não há refluxo. Os sintomas tendem a diminuir diante da pílula”, indica o ginecologista. Para as mulheres que apresentam o problema, é importante impedir seu avanço.
Até agora, não foi descoberta nenhuma cura definitiva para a endometriose. Porém, ela não pode levar à morte. “O diagnóstico precoce em meninas adolescentes é a melhor forma de tratamento. Diante de dores consecutivas e fortes, a mulher deve procurar um médico. Em casos mais sérios, além da infertilidade, a doença pode causar a destruição de órgãos pélvicos, como bexiga e intestino. Neste caso, o problema necessita de cirurgias extremamente complexas, cujos resultados são ainda incertos”, afirma Basbaum.
Fonte - MBPress
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