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Com certeza você encontrará algum dia um profissional não tão dedicado, nem tão responsável, mas que ocupa um dos altos cargos da empresa e é amigo de todos.
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A obra mostra, em 35 lições, um guia completo - com dicas e truques - de como desenvolver técnicas para se tornar um enrolador e aperfeiçoá-las, mantendo o status. O livro não é apenas para os funcionários, mas também para consultores de recursos humanos e chefes identificarem esse personagem tão presente em uma empresa.
Um bom enrolador é o enrolador de classe, que utiliza oportunidades - que nem sempre a empresa sabe que disponibilizou - para projetar-se no ambiente de trabalho, desenvolvendo uma carreira fácil, sem o menor esforço. "Enrolar é induzir o chefe a um conceito positivo de avaliação de desempenho com relação para situações em que o contrário deveria acontecer. O enrolador sabe explorar esta estratégia pessoal de crescimento na empresa, deixando aos profissionais que gostam de dar duro a missão de fazer o que eles menos gostam: trabalhar e assumir responsabilidades", conta João. "Na fábula ‘A cigarra e a formiga’, sem dúvida eles exercem muito bem o papel da cigarra", completa. Ou seja, o enrolador nada mais é do que o bom e velho marketing pessoal, bem aplicado e bem focado para fins digamos, não muito dignos.
O autor afirma que, além de talento e coragem para adotar uma postura de enrolador - conseguindo que isso passe batido pelo chefe, o malandrinho se adapta a diversas situações, se tornando um verdadeiro artista. "Ele consegue seus objetivos de carreira através de procedimentos e comportamentos não habituais, convertendo a enrolação em ‘excelente imagem pessoal e conceito de desempenho", diz João.
Qualquer um pode ser um enrolador de classe. Na verdade, o real enrolador só pode exercer seu charme quando está em um cargo de mobilidade. Aqueles funcionários que prestam serviços em uma linha de montagem, por exemplo, dificilmente terão a chance de se tornar um enrolador. ‘No máximo, ele poderá ter uma iniciação, matando algum tempo no banheiro, no cafezinho, no ambulatório médico, no posto bancário, andando devagar pelos corredores da fábrica quando o chefe pedir para buscar alguma peça. Qualquer cargo de linha, operacional ou administrativo, nunca conseguirá ser um enrolador de classe. No máximo, será um aprendiz, um enrolador júnior", comenta João, que é ex-executivo de RH.
E se você acha que enrolador é sinônimo de fracasso, falta de vontade ou talento, está muito enganada. "Dezenas de enroladores galgaram carreiras rápidas para os níveis mais elevados das empresas. E lá continuam até hoje, enrolando. Enrolador não significa falta de competência e talento profissional ou falta de iniciativa ou criatividade. Ao contrário, quando alguém competente, talentoso, criativo e com iniciativa decide enrolar, dá exemplos extraordinários de como isto pode ser feito com absoluto sucesso e segurança", esclarece o escritor.
O objetivo do livro é, de fato, transmitir conceitos fundamentais do marketing pessoal, que, com certeza, é um ponto forte para um bom desenvolvimento em uma empresa. "É um livro com certo ‘cinismo’ - serve tanto às empresas, como aos funcionários e permite uma reflexão do leitor, que saberá separar a situações politicamente corretas das politicamente incorretas. E ainda confirmará as práticas comuns dos enroladores de classe para uma ascensão profissional, que existe em todas as empresas, sem distinção", comenta.
Por Tissiane Vicentin (MBPress)
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