Especial Mães 2013

Escocesa de nove anos reivindica melhorias na merenda escolar

Qui, 28/06/2012 - 11h16 - 0 comentário

Martha Payne e suas críticas à merenda

Foto/Reprodução Site Top News


Os adultos costumam guardar uma série de boas lembranças dos tempos de escola. A professora, as brincadeiras na hora do recreio e as amizades despretensiosas. Essas provavelmente também serão as recordações que a escocesa Martha Payne, de nove anos, terá.

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E mais uma deve ser acrescida à lista: a sua luta por uma merenda de qualidade.

É isso mesmo! Com o intuito de ter uma merenda mais nutritiva e saborosa, Martha criou, com a ajuda do pai, o blog "Never Seconds". Nele a menina posta suas impressões sobre as refeições oferecidas diariamente pela escola. Cada atualização traz uma foto do cardápio, um texto pequeno e simples sobre ele e informações adicionais, como o número de garfadas, o preço e se algum fio de cabelo foi encontrado nele.

A ação de Martha se popularizou depois que seu pai mandou o link do blog para o cozinheiro e apresentador de TV, Jamie Oliver, via Twitter. Sensibilizado com as críticas da jovenzinha, o especialista divulgou o blog para sua lista de seguidores. A imprensa entrou em ação e agora a escola onde a escocesa estuda está se empenhando para modificar as refeições.

A má qualidade dos cardápios não é um problema só na escola de Martha. Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgada em fevereiro de 2011 revelou que 21,7% da população do Norte e 13,9% dos residentes da região Nordeste classificam a merenda escolar como ruim. E esta não foi a única crítica: 8,3% e 7,3% dos moradores dessas respectivas regiões consideram a quantidade de comida insuficiente. As refeições foram consideradas boas no Sul (75,8%), no Centro-Oeste (70,9%) e no Sudeste (65,5%).

Falta de higiene no preparo da merenda
A nutricionista funcional Andrezza Botelho e a nutricionista Thatiana Galante, ambas da clínica Andrezza Botelho, lembram que o problema não está só na qualidade da alimentação. Elas comentam que em algumas escolas há má conduta dos funcionários (no sentido de não cumprirem as normas da ANVISA referentes à higiene no preparo, manutenção e transporte dos alimentos) e até mesmo desvio de verba. "Com menos recursos financeiros, a qualidade nutricional da merenda cai, o que a torna um problema na saúde, crescimento e desenvolvimento das crianças."

Quando o assunto é o blog, Ana Pozza, psicóloga e psicoterapeuta familiar, avalia Martha como uma criança crítica, criativa e com autostima elevada. Além disso, a menina recebeu do pai toda a ajuda necessária para ter segurança ao expor seus pensamentos e se posicionar.

"Uma família que ensina ao filho o que é saudável, educa-o a comer bem e saber o que beneficiará ou não a sua saúde, fará com que ele tenha dificuldade em aceitar qualquer alimentação", defende. "Se os pais incentivam a criança a questionar e não aceitar o que lhe prejudica, esta tenderá a ter uma visão crítica e questionadora. Neste caso, como Martha teve o apoio da família e de outras crianças, isso a fortaleceu, não a faz se sentir sozinha", completa.

Crianças e tecnologia
Manifestações como as de Martha só surtem efeito contrário se as pessoas envolvidas não demonstrarem maturidade em relação ao tema. "Ela está reivindicando uma alimentação saudável. E a força do grupo que protesta junto com ela leva os profissionais da escola a apresentarem um posicionamento que não a prejudique", defende Dra. Ana.

As nutricionistas pensam que o descontentamento da escocesa não vai prejudicar seu desempenho escolar: "As atitudes dela influenciaram positivamente outras crianças". Dra. Ana concorda: "O blog potencializa a necessidade de uma atitude diferenciada, pois o que Martha está protestando é uma questão de saúde, de vida. No entanto, ela precisará de orientação para lidar com a popularidade que conquistou através da sua manifestação pelo blog."


Por conta da alta tecnologia, o blog tornou-se a melhor ferramenta de protesto da pequena estudante. Mas a psicóloga alerta: "Assim como uma notícia como esta gerou repercussão mundial positiva, posts negativos, favorecendo a violência sexualou psicológica, podem gerar exposição inadequada da criança. Por isso, a supervisão dos pais é fundamental", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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