Moda inclusiva - roupas para portadores de deficiência

Sex, 02/10/2009 - 05h00 - Moda postar comentário

Moda inclusiva  roupas para portadores de deficiên

Foto: Renan Pissolatto.

O mundo da moda perde um pouco do charme quando a gente para e pensa que, de verdade mesmo, ela não é lá muito democrática.

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Se você é muito alta, falta um pedaço da barra ou a calça fica larga. Se é gordinha, provavelmente fica difícil encontrar aquela blusa que viu no catálogo de moda ou na revista. E, se você tiver algum tipo de deficiência física e necessidades especiais, como acha que a moda fica?

A professora da área de Moda do Senai de Cianorte, no Paraná, Leny Pereira, parou para pensar melhor sobre isso e resolveu desenvolver roupas especiais. Depois de conhecer um menino tetraplégico, de 12 anos, ela prometeu que criaria uma roupa exclusiva para ele - e assim, quase sem querer, deu inicio ao projeto "Roupas para PcD (pessoas com deficiência)", premiado no último concurso Mostra Inova do Senai, em junho desse ano.

Leny criou uma coleção toda adaptada para crianças e adolescentes com deficiência motora, a partir de um estudo chamado 4ª dimensão de modelagem, que observa o movimento do corpo e suas articulações. Isso significa que as peças têm detalhes que facilitam o vestir, como um recorte nas costas ou um deslocamento na costura. Os aviamentos - de plástico ao invés de ferro - deixaram as roupas mais confortáveis. Mas, mesmo com tanta novidade, não há grandes diferenças quando o assunto é produção. "Os acabamentos e costuras são os mesmos já utilizados na confecção industrial. O deslocamento não muda o processo normal", garante a professora.

Segundo ela, não existem roupas com modelagem especial para os deficientes jovens que atendam a necessidade e, ao mesmo tempo, estejam na moda, com cores alegres, estampas e cortes atuais. Hoje, a maioria das crianças deficientes utiliza roupas de tamanho maior, com algum tipo de adaptação caseira. "Geralmente a mãe tem que improvisar, fazendo aberturas laterais para vestir com mais facilidade", afirma.

O projeto foi todo elaborado para atender crianças e adolescente com paralisia em membros superiores e inferiores, além de pessoas em reabilitação pós-cirúrgica. "As peças atendem não só aos cadeirantes, mas todas as pessoas com dificuldade motora, que podem ter um comprometimento leve ou grave dos movimentos", explica.

A primeira coleção tem 12 peças, com vestido, calça, blusas e jaqueta. Por enquanto, as roupas são para crianças, mas podem ser redesenhadas para mulheres e homens. Agora, a intenção é colocar a coleção no mercado. "É uma coisa simples, mas que pode mudar a vida de uma pessoa, principalmente de uma criança" considera Leny. Em entrevista especial para o Vila Fashion, ela fala um pouco do sentimento de estar à frente de um projeto que democratiza a moda e conta de onde veio a grande inspiração para tudo. Ela acredita que até o fim do ano já será possível comprar as peças pela internet, e quanto aos preços, provavelmente terão o custo de uma peça convencional.

Confira as fotos:

Como você se sente à frente de um projeto que democratiza a moda?
Sentir, talvez seja a palavra deste projeto. Existe muito sobre moda, seu desdobramento enquanto comportamento, tendências, e até mesmo o reflexo de uma sociedade. São vários sentimentos que sustentam essa ideia. Hoje me sinto muito feliz e realizada com a contribuição do meu trabalho para tornar possível e mais agradável o dia dessas pessoas. A moda existe porque existem pessoas e a democratização da mesma é um direito de todos os indivíduos. A pessoa com deficiência é um consumidor. Assim como os demais, eles chegaram ao mercado de trabalho, conquistaram espaços, e porque não, o mercado de moda? É um grande desafio com certeza, mas apaixonante e de muita essência humana.

De onde veio à inspiração principal para criar as peças?
Essa ideia surgiu quando na graduação participei de um seminário com a professora Maria Fatima Grave, precursora no Brasil sobre este assunto. Na ocasião ela falou do desafio da modelagem para pessoas com lesão medular, e outras patologias. Depois da palestra, não parei mais de estudar e me interessar pelo assunto. Em 2007, estava pronta a fundamentação teórica e comecei a parte prática do projeto. Foi quando conheci as crianças que provaram a coleção. Aí não tive dúvida que esta ideia era mais necessária do que imaginava. A percepção e o amor pelo próximo foi o combustível para que este projeto criasse força de produto e ganhasse mercado. A maior inspiração vem de uma causa nobre e divina. Acredito que o mais interessante da moda é o respeito pelo corpo a ser vestido, e isso é inerente ao profissional de moda, em todos seus níveis.

Pode explicar um pouquinho dessas "quarta dimensão"?
Na quarta dimensão da modelagem se estuda o corpo em movimento. A modelagem tridimensional atende essa realidade e na quarta dimensão é possível prever o quanto se deve entender o molde, para que este acompanhe a mobilidade do corpo, não causando desconforto ao indivíduo que a utiliza. Nesse caso específico o estudo da modelagem é fundamental para entender a mobilidade desse corpo.

Você acha a moda excludente e que tudo é feito hoje para corpos e medidas perfeitas?
A moda tem uma face excludente, porque o que se mostra na mídia é glamour, que requer muito dinheiro para ostentação. Para esta face da moda, as medidas e os contornos procuram a ilusão de perfeição. No entanto, existem outras faces que a moda contempla, que é a ergonomia e o respeito do bem vestir a todos, sem distinção.

Por Sabrina Passos (MBPress)

15 comentários

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adorei!

Sex, 20/04/2012 - 11h13    |   Reportar abuso
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Gabriela Midões Sanches Gabriela Midões Sanches

Parabens a Professora de Moda Leny Perira de Cianorte PR,por esta criaçao espetacular,uma idéia inovadora.Parabens Leny

Sex, 09/03/2012 - 23h17    |   Reportar abuso
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osvaldo gonçalves osvaldo gonçalves

Oi Ana Henriqueta do Prado, eu estou pesquisando sobre esse tipo de roupa e vi um vídeo sobre um desfile, no final dele tem uma modelo que desfila com um vestido de noiva. Não sei se vai ajudar muito, mas aqui está o link:
http://reabilitandoad.blogspot.com/2011/02/roupas-adaptadas-moda-fashion.html

Ter, 30/08/2011 - 20h54    |   Reportar abuso
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Barbara Alonso Lagua Barbara Alonso Lagua

Meus parabéns, para a estilista que criou a moda para o portador de deficiencia,ele merece ser incluido no mercado da moda afinal e um consumidor e nosso reconhecimento a secretaria Linamara por sua inciativa ,d,e promover o concurso do melhor estilista na moda inclusiva para o deficiente,o melhor modelo.Nos da Associação de Pais e amigo d e Pessoas portadoras de Deficiencia e Comunidade dos Funcionarios do Banco do Brasil São Paulo os louvamos por essa ideia.
uma abraço Ana Henriqueta

Dom, 29/05/2011 - 13h10    |   Reportar abuso
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ANA HENRIQUETA DO PRADO ANA HENRIQUETA DO PRADO

Olá Boa Tarde, meu nome é Denise, sou brasileira, mas atualmente moro em Portugal. Estou aqui fazendo mestrado em Design de Moda. E estou desenvolvendo um projeto de Design Inclusivo, e devido a isso preciso MUITO da ajuda de vocês. Pois o meu objetivo como designer de moda não é apenas criar um vestuário “fácil” para o deficiente físico, mas sim um vestuário preocupado com as suas necessidades específicas, como a ergonomia, o conforto e principalmente com o design e a estética. Por estes motivos e para entender e tentar solucionar as verdadeiras necessidades do utilizador, conto com a colaboração de vocês no preenchimento deste questionário. Eu prometo que é simples e rápido!!! Desde já agradeço muito pela participação!!!
http://www.encuestafacil.com/RespWeb/Qn.aspx?EID=861329

Sáb, 20/11/2010 - 17h49    |   Reportar abuso
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Oi Denise, gostei muito da sua idéia e achei interessante podermos trocar informações. Estou fazeno um planejamento de abrir uma loja de roupas só para atender deficientes fisícos. Moro em Salvador /BA . Se puder e tiver interesse entre em contato comigo. drocha@gmh.com.br Aguardo seu contato.
Sex, 09/03/2012 - 21h05    |    Reportar abuso
gostaria muti de poder trocar informações sobre este assunto. Atualmente me interessei pela questão.
Sex, 09/03/2012 - 20h50    |    Reportar abuso
Denise Helena Rutkowski D Denise Helena Rutkowski D

Ola! Gostaria de compartilhar meu desfile do Donna Fashion Iguatemi Porto Alegre, no qual convidei uma cadeirante para desfilar e fez o maior sucesso. Acredito q a moda deve ser democratica sempre. Fiz uma roupa com conceito de moda, porem adaptada para a modelo e foi tudo lindo.

http://modalounge.blogspot.com/2010/09/vitoria-cuervo-emociona-em-desfile-no.html


http://www.youtube.com/watch?v=JldTT2zUUho&feature=youtube_gdata_player

http://wp.clicrbs.com.br/n9ve/2010/09/24/a-colecao-de-vitoria-cuervo/?topo=52,1,1,,170,e170


Sapatos: Jailson Marcos (http://www.jailsonmarcos.com/)
Make e cabelo: Nicholas Galvão
Modelos: trust models e Juliana Carvalho dos Santos (comediasdavidaaleijada.blogspot.com/)

obrigada=]

Ter, 28/09/2010 - 13h38    |   Reportar abuso
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vitoria cuervo vitoria cuervo

tambem acho que essa modalidade de roupas deveria ser inclusiva quero fazer meu trabalho de final de curso sobre esse tema sou modelista e gostaria de saber +sobre est modelagem difereciada e tao espesial que fara uma grande diferença para as pessoas com deficiencia

Sáb, 07/08/2010 - 20h34    |   Reportar abuso
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vilma aparecida vilma aparecida

4ª edição do Fashion Downtown – Espaço para a moda e conscientização pela acessibilidade

Do dia 5 a 9 de abril 2010 acontece a 4ª edição do Fashion Downtown na Praça do Patriarca com desfiles das tendências que estarão nas vitrines e nas ruas do centro de São Paulo durante o outono/inverno 2010. Na passarela, grandes marcas como Cavalera, Overboard, Occasion, Bolsas Carioca, Montag, Periferia Brasil, Hering, Dyllan Bolsas, Vista Vida, Razon e Central Surf apresentadas também por modelos deficientes para mostrar que a moda pode e deve ser inclusiva.

O Fashion Downtown convidou a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida para participar do evento com o objetivo de alertar os comerciantes da região central da cidade sobre o baixo custo das adequações necessárias para tornar as lojas acessíveis.

No Brasil há cerca de 25 milhões de pessoas com deficiência. No Estado de São Paulo, estão 17% do total do país, sendo que 1,2 milhões estão só capital. Mas para que eles tenham acesso as lojas do comércio de rua é necessário conscientizar os donos do estabelecimento da importância de adequarem seus estabelecimentos para receberem com dignidade esse grande e importante consumidor emergente.

http://www.fashiondowntown.com.br/imprensa_det.php?codeps=MTA=

Serviço

4ª Fashion Downtown – Outono / Inverno
De 05 a 09 de abril de 2010
Praça do Patriarca – Centro – São Paulo
Das 10:00 às 17:00 horas

Sáb, 03/04/2010 - 22h23    |   Reportar abuso
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Fashion Downtown Fashion Downtown

pensar no bem estar de pessoas que poucos pensam.
parabens Leny pela iniciativa,este é um grande projeto.

Qui, 25/03/2010 - 17h02    |   Reportar abuso
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osvaldo gonçalves osvaldo gonçalves

Realmente você é uma vitoriosa, só de ter pensado na inclusão de pessoas especiais no mundo da moda, e isto tornando-se real é maravilhoso, um grande abraço, sucesso.

Sáb, 20/03/2010 - 12h09    |   Reportar abuso
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Professora Vilma Frigatti Professora Vilma Frigatti

Parabéns pela iniciativa. Sou acadêmica de enfermagem da UFSC e estou ajudando a minha professora junto com o grupo de pesquisa a escrever o capítulo de um livro sobre Lesão Medular. Dentro deste capítulo encaixa-se a parte sobre vestimentas e calçados. Gostaria de saber se podemos entrar em contato. gabriella.nadas@hotmail.com

Ter, 05/01/2010 - 23h01    |   Reportar abuso
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Gabriella Gabriella

Sou mãe de uma garota autista, com mobilidade reduzida (se arrasta no chão) e tenho a maior dificuldade para comprar roupas para ela, porque TODAS ficam descosturadas ou mesmo rasgadas na primeira vez que ela usa, não importa o preço ou a qualidade, nenhuma roupa por melhor que seja foi feita para ser usada por quem se arrasta no chão.
Estou procurando roupas adequadas para ela, vocês saberiam me informar onde encontro?
Grata,

Maria Olga A.Garcia
molga.garcia@gmail.com

Sex, 13/11/2009 - 11h11    |   Reportar abuso
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Adorei a idéia, sou cadeirante e sempre me preocupo com meu visual, adoro andar bem vestida e sou muito elogiada por isso, porém enfrento muitas dificuldades para encontra roupas que mostre que ale´m de cadeirante sou acida de tudo mulher. Será ótimo que outra grifes possam cópiar sua idéia, afinal quem não gosta de se sentir bem?

Beijo
E um agradecimento hiper especial

Sex, 30/10/2009 - 12h42    |   Reportar abuso
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Solange Goes Solange Goes

Realmente esta foi uma excelente iniciativa para a valorização do ser humano.

Parabéns, sucesso, você merece.

Qui, 15/10/2009 - 11h22    |   Reportar abuso
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Andrei Marteli Andrei Marteli

Gostaria de parabenizar a professora Leny por esta ótima ideia. Sou estudante de fisioterapia e achei fascinante o interesse em incluir as pessoas com necessidades especiais nesse tão atraente e conturbado mundo da moda. O mundo estaria de outra maneira se mais pessoas se colocassem no lugar do próximo.

Sex, 02/10/2009 - 08h15    |   Reportar abuso
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Obrigada,pelas palavras, eu acredito que pode ser melhor, quando,nos colocamos a serviço do bem estar do próximo,em nossa atividade profissional contribuimos para este fim. Leny Pereira.
Ter, 13/10/2009 - 22h27    |    Reportar abuso
Gabriela Gabriela
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