
Foto: Rick Gomez/Blend Images/Corbis
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Quem deu o alerta foi a Universidade Monash, na Austrália. Membros do Centro de Saúde e Economia da instituição acompanharam a rotina de 9.276 mulheres por dois anos e concluíram que 55% das profissionais que trabalhavam mais de 35 horas semanais ganharam, pelo menos, 1,5% a mais de seu peso inicial. E mais: as que trabalharam mais de 49 horas por semana tinham uma propensão maior a beber e fumar.
A doutoranda em Endocrinologia da USP e coordenadora e professora da Pós-graduação em Endocrinologia do ISMD, Dra. Claudia Chang, concorda com o resultado do estudo e explica que o ganho de peso progressivo ocorre, principalmente, por conta da dupla jornada da mulher (trabalho e casa).
"Houve um maior sedentarismo (diminuição ou ausência de atividade física) e uma piora da qualidade alimentar (substituição de refeições por lanches). Esse fator diminuiu significativamente a ingestão de alimentos mais saudáveis, como legumes e verduras (‘teoricamente’ mais trabalhosos de se preparar em comparação a um sanduíche, por exemplo)", disse.
O endocrinologista do Spa Med Sorocaba Campus, Dr. Lucas Tadeu Moura, acrescenta: "Em geral quem se priva de refeições e apresenta maior nível de estresse tende a ganhar peso e desenvolver um maior número de problemas relacionados a este. Essas pessoas também apresentam maior fome a ansiedade na hora de comer, principalmente ao final do dia, em casa."
No quesito alimentação outros hábitos contribuem para o aumento progressivo de peso: o longo período em jejum (fazer apenas três refeições por dia) e o consumo de alimentos mais calóricos, como chocolates e doces em geral. "Começar o dia sem tomar café da manhã, substituir refeições por guloseimas e alimentos industrializados e pouca ingestão hídrica também entram nesta lista", comenta Dr. Lucas.
Agora que pudemos identificar o que leva ao ganho indesejado de peso, a meta é começar a levar um estilo de vida mais saudável. Dra. Claudia e Dr. Lucas dão as dicas:
- Não fique muito tempo em jejum;
- Consuma frutas e cereais nos intervalos das refeições;
- Beba bastante água;
- Mantenha a prática regular de exercícios físicos;
- Opte por uma alta ingestão de legumes, verduras e produtos integrais (ricos em fibras);
- Estabeleça horários para suas refeições ao longo do dia, deixando o trabalho e reuniões em segundo plano nestes momentos;
- Procure profissionais especializados para orientar a melhor dieta e, assim, fugir das armadilhas encontradas em diversos alimentos.
E mais uma dica: "Se no final, mesmo assim você quiser comer chocolate, tente não comê-lo com fome. E evite relacionar o doce a uma ‘recompensa’, pois assim acaba-se criando uma relação de ganho e recompensa nada saudável com o alimento", finaliza a endocrinologista.
Por Juliana Falcão (MBPress)
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