
O quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo*, também conhecido como Grito do Ipiranga, é o principal símbolo da proclamação da Independência do Brasil. A imagem, no entanto, não é exatamente uma fotografia do fato. Enquanto a independência do Brasil foi proclamada em 1822, Pedro Américo só foi terminar de pintar o quadro em 1888, em Florença, na Itália. A obra foi encomendada pela Família Real, que investia na construção do Museu do Ipiranga, hoje oficialmente chamado Museu Paulista, que fica em São Paulo (SP).
Em 7 de Setembro, ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro e advertindo: "O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece". Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal.
Curiosidades sobre o QUADRO INDEPENDÊNCIA OU MORTE
OU O GRITO DO IPIRANGA
*O quadro feito em 1888, atualmente no salão nobre do Museu Paulista da USP, é a principal obra do museu e a mais divulgada de Pedro Américo.
O nome original dessa tela é "Independência ou Morte" mas ficou conhecida como "O Grito do Ipiranga".
A tela mede 7,60 x 4,15 m, tratando-se de uma tela retangular que representa a cena de Dom Pedro I proclamando a independência do Brasil. Na tela também aparecem:
-à direita e à frente do grupo principal, em semicírculo, estão os cavaleiros da comitiva;
-à esquerda, e em oposição aos cavaleiros, está um longo carro de boi guiado por um homem do campo que olha a cena curiosamente.
-Essa obra foi encomendada pelo governo imperial e pela comissão de construção do monumento do Ipiranga, antes que o Museu do Ipiranga existisse, e foi completado em Florença em 1888.
O artista se preocupava em estudar todos os detalhes de seus quadros, como roupas, armas e os tipo físicos das pessoas. Para a produção deste quadro, ele se dirigia freqüentemente ao bairro do Ipiranga para conhecer-lhe a luz, a topografia e outros aspectos.
*Pedro Américo, um pintor histórico, foi autor de outras obras com o mesmo cunho, como Batalha do Avaí, que retrata um dos eventos da Guerra do Paraguai. Também nesse caso, ele não estava presente. Assim, o Grito do Ipiranga é um quadro simbólico como várias outras pinturas históricas espalhadas pelo mundo.
Nem Tudo AcOnTeCeU como foi pintado:
1- Transporte simplezinho
No dia da proclamação da Independência, D.Pedro I e sua comitiva viajavam de São Paulo até Santos, mas é claro que não existia nem pedágio, então imagine como a estrada era perigosa, cheia de ribanceiras ótimas para um capote. Assim, esqueça os cavalos puro-sangue do quadro.Na verdade, todo mundo viajava no lombo de...mulas!
2- Luxo exagerado
Como a galera da viagem já estava na estrada havia dois dias, esses modelitos de almofadinhas eram demais para a jornada. Quem poderia ficar à vontade com esses uniformes engomadinhos? Provavelmente, eles usavam roupas mais simples e confortáveis.
3- Incidentes de percurso
Com essa cara de vitorioso de D. Pedro I no quadro, não tinha para ninguém. Olha essa pose de herói, empunhando a espada e tudo. Mas, na verdade, naquele dia o imperador deveria estar é com uma careta de dor. É que ele estava com dor de barriga! Para muitos historiadores, o “incidente” era por causa do cansaço da viagem.
4- Ei, quem é você?
Naquela época também não existia Pânico na TV, nem os “Roberts” (aquele povo que adora aparecer em fotos com celebridades), mas o Pedro Américo fez questão de se colocar no quadro: ele é o carinha montado no cavalo lá no canto esquerdo, no alto e, é claro, nunca participou da cena de verdade!
5- Quadro superpopuloso
Esqueça essa multidão da cena:na verdade, a comitiva de D. Pedro tinha só umas nove ou 10 pessoas, e não esse povaréu todo. E mais: esses soldados montados em cavalos brancos à direita, com um elmo com penachinho, são os Dragões da Independência, o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, que só ganhou esse nome em 1927, e também não estava lá.
6- O esquisito
No quadro, a gente pode ver o famoso riacho do Ipiranga bem no pé da pintura, à direita. Mas, na verdade, de acordo com a localização do morrinho onde eles estão, o rio está perto demais, e deveria passar por trás de quem observa a cena. O pintor mudou até a geografia do pedaço.
7- Casa fantasma
Aquela casinha que aparece no canto direito do quadro, construída em pau-a-pique, é a Casa do Grito, que existe até hoje nos jardins do Museu Paulista. O problema é que os documentos mais antigos da casa são de 1884, ou seja: ela também não estava lá na hora do grito. O mais engraçado é que essa construção ficou meio abandonada até 1955, quando o pessoal resolveu restaurá-la,e a casa até ganhou uma janela a mais, para ficar igualzinha à que o artista pintou.
***Pedro Américo é acusado de plagiar outro quadro histórico. Trata-se de "1807, Friedland", de Ernest Messonier, pintado em 1875 e que retrata a vitória de Napoleão Bonaparte na batalha de mesmo nome. Conheça a obra de Messonier e faça seu próprio julgamento.

Fontes Imagem:
*Grito do Ipiranga: Pedro Américo, 1888. Museu Paulista
www.culturabrasil.org/ independencia2004.htm
*1807, Friedland: Ernest Messonier, pintado em 1875. Metropolitan Museum of Art
http://www.insecula.com/oeuvre/photo_ME0000101170.html
*http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=5201
**http://meme.yahoo.com/pausaparaocafe/p/m_SQC8O
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