Obesidade infantil, o caso da mamadeira noturna

Com a palavra: Dr Ruy Pupo Filho


Por Dr Ruy Pupo Filho

Há poucas décadas nosso país tinha sérios problemas de desnutrição infantil. Embora esta situação ainda exista, localizada em bolsões de miséria, hoje o maior problema é bem diferente.

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Várias estatísticas apontam para um crescimento do excesso de peso ou mesmo da obesidade entre nossas crianças e adolescentes. Em alguns locais, afeta mais de 50% dos nossos jovens! E com o aumento de peso aparecem problemas que antes afetavam apenas os adultos, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol aumentado, diminuição da auto-estima e vários outros.
E quais são as causas? A principal delas é o erro alimentar, com a ingestão de comidas excessivamente calóricas, os "fast foods", refrigerantes, guloseimas, e a falta de ingestão de verduras e frutas.

O papel da mulher como responsável pelo estabelecimento de bons hábitos alimentares para toda a família é fundamental. A mulher determina diretamente o padrão alimentar da casa, e por esta razão pode atuar com eficiência na prevenção da obesidade infanto-juvenil.

E o problema geralmente começa bem cedo. Com freqüência atendo crianças na faixa de dois anos de idade ou mais, cuja obesidade é visível assim que adentram ao consultório. E qual a queixa da família? O famoso "meu filho não come"!

Mas que mistério é esse, a criança não come e está obesa? Será algum problema de saúde, por exemplo, uma disfunção da tireóide? Raramente. A situação mais comum é bem mais simples. "Quantas mamadeiras ele toma por dia", eu pergunto. "Ah, doutor, só duas". Aí entra a experiência de trinta anos, e faço a pergunta direta: "E durante a noite?" Bom, dormindo são só três ou quatro..." Ou seja, é uma criança que nem deveria mais estar tomando mamadeira, mas continua mamando seis, sete ou oito vezes por dia. Não sobra nenhum apetite para a comida, mas sobram calorias mais do que suficientes para causar obesidade. E também cáries severas.

Como resolver isso? O primeiro passo é cortar as mamadeiras noturnas. "Ah, doutor, mas ele chora se eu não der". Basta ficar firme por apenas alguns dias e a criança irá se acostumar com a nova situação.

E durante o dia, oferecer à criança nos horários de alimentação, pratos com alimentos saudáveis, iguais ao do restante da família. Ou seja, todos tem de comer da mesma forma, corretamente.

Fácil? No início não, mas em pouco tempo a criança e a família desenvolvem hábitos saudáveis, extremamente necessários para evitar os problemas de saúde que comentamos antes.

Duro mesmo é quando a mãe, depois de receber todas estas orientações, já saindo do consultório se volta e pergunta: "Doutor, e o senhor não vai receitar uma vitamina para abrir o apetite dele?"

Para mais detalhes sobre esse assunto, veja meu livro "Como educar seus Filhos", Ed. Elsevier. Vendas pelo site www.ruypupo.com.br

Dr. Ruy Pupo Filho é médico pediatra, neonatologista e sanitarista. É autor dos livros “Manual do Bebê”, “Como educar seus filhos” e “Plantão Médico-sala de parto”. Foi “Pai do Ano” pela Revista Claudia em 1995 e “Gente que Faz” em 1997 por sua militância em defesa dos direitos das crianças com deficiência.


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Comentários (2)


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Milena

postado:
01/04/2008 - 21h40

Concordo plenamente

Mudar hábitos alimentares é díficil, mas se a mãe iniciar desde cedo uma alimentação equilibrada, saudável e sem excessos fica fácil manter esses hábitos e formar adultos com qualidade de vida e até sem transtornos de alimentação.

0 relevância

Karina

postado:
30/03/2008 - 10h16

obrigada DR.Ruy

obrigada pela materia tenho uma filha de 3 anos que esta tendo problemas de alimentação.com sua materia tirei o leite do meu filho mas novo(02 anos) a noite,ele mamava durante a madrugada,e esta acima do peso.obrigada pela a materia.


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