Unhas decoradas

Quando uma pessoa começa a viver?

Qui, 17/04/2008 - 18h04    |   Reportar abuso
Por Ruy Pupo Filho

Quando uma pessoa começa a viver? A pergunta é simples, mas a resposta não. Aliás, as respostas, pois há várias, dependem da religião, do local, da época, da cultura... No Brasil, a questão está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal, que ainda não chegou a um consenso.

Para muitos, talvez a maioria, a vida começa na concepção, o momento do encontro do óvulo e do espermatozóide, formando o ovo. Parece lógico e natural. Mas ocorre que, em média, um em cada quatro desses seres primordiais não consegue sequer se fixar na parede uterina. É eliminado naturalmente pelo organismo. Por isso, alguns especialistas em fertilização in vitro argumentam que a vida só começa quando o ovo cresceu mais um pouco, se transformou em embrião e se fixou ao útero.

Até o décimo-quinto dia, o embrião pode se dividir em dois ou mais, formando gêmeos. Assim alguns geneticistas e biólogos argumentam que só se pode identificar uma vida a partir daí, quando ela não pode mais se multiplicar.

Para algumas religiões, a criança só se torna um ser humano quando nasce. E numa determinada tribo de aborígines, acreditava-se que vida só começava quando a criança recebia um nome, por volta de dois ou três anos de idade.

Sem julgar ou mesmo rejeitar nenhuma dessas visões, para mim, como pediatra e neonatologista há quase trinta anos, a vida começa mesmo na sala de parto, após o nascimento. O local onde ocorre o milagre da vida, onde o encontro marcado entre mãe, filho e pai finalmente acontece.

É esta a hora em que finalmente se pode ver pela primeira vez as feições do bebê, frente a frente, segurá-lo, beijá-lo, cheirá-lo... É aqui que a presença de uma nova pessoa finalmente se concretiza. O nascimento é um mágico momento, sempre marcado de muita emoção. Mesmo para quem vive essa realidade diariamente, a magia se renova a cada parto.

Ao nascer, cada bebê já traz uma história esboçada, à qual serão acrescentados novos capítulos ao longo de sua existência. Contar algumas dessas histórias é a pretensão de meu novo livro "Plantão Médico: Sala de Parto". Por incrível que possa parecer, todas elas são verídicas, embora ambientadas numa fictícia "Maternidade Bom Parto". Claro, alguma "licença literária" foi usada quando necessário. Algumas das histórias são alegres, positivas e edificantes. Mas, como na própria vida humana, há também relatos duros, tristes, capazes até de chocar os mais sensíveis. O certo é que através delas é possível vislumbrar algumas coisas maravilhosas e também outras terríveis de que as pessoas são capazes.

Estas histórias nada mais são do que retratos fiéis da alma humana, revelada em pequenos retratos sem retoques. O cenário é o ambiente hospitalar, e seus arredores. O foco ora está na gestação e parto, ora nos profissionais de saúde, ou ainda nos pais, mães e bebês. Ou mesmo nas circunstâncias sociais ao redor.

Convido todos para conhecerem a realidade de uma maternidade, lendo "Plantão Médico: Sala de Parto", o local onde a vida começa e histórias incríveis também. Venda do livro pelo site www.ruypupo.med.br



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