
Quem nunca sonhou com o príncipe encantado, atire a primeira pedra. A verdade é que nós mulheres podemos ser mais fortes que os homens em várias situações, mas somos também mais sonhadoras.
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Essa é a possível razão para os resultados de uma pesquisa realizada pela CPP Brasil (Parceria para a Proteção da Criança e do Adolescente), que revelou que 79% das adolescentes brasileiras não se sentem seguras online. O levantamento faz parte da publicação internacional da ONG Plan, chamada "Fronteiras Digitais e Urbanas: Meninas em um ambiente em transformação" ("Digital and Urban Frontiers: Girls in a Changing Landscape"), lançada em setembro, em São Paulo.
O relatório integra o estudo internacional "Because I am a Girl" ("Porque Sou uma Menina"), também realizado pela organização não-governamental. Este ano, o tema é como o uso de tecnologias de comunicação e informação afeta as meninas brasileiras. "O objetivo é estudar a realidade dessas meninas e identificar bons usos, problemas e desafios para elas diante do mundo virtual", diz Luiz Rossi, gestor da CPP Brasil.
Além da porcentagem de adolescentes que se sentem inseguras enquanto navegam na rede, a pesquisa revelou outros dados alarmantes. Apesar de 60% das 400 entrevistadas em diversos estados do Brasil ter declarado saber sobre os perigos online, somente um terço delas sabe como denunciar um desses perigos.
Uma opção segura é utilizar o site da Polícia Federal (www.dpf.gov.br), clicar no botão "Fale Conosco" e, em seguida, na opção "Crimes na Web". Luiz lembra ainda que o canal também está disponível no site da ONG SaferNet (www.safernet.org.br), uma das parceiras da Plan.
Porém, atitudes drásticas em geral não funcionam muito bem. "Bloquear o sites para adolescente ajuda pouco e não resolve, pois a menina pode acessar em outro computador, com uma amiga. E às vezes proibir também instiga. O que resolve mesmo é orientar, esclarecer, responsabilizar e dar exemplos", explica a psicóloga Cida Rabelo.
Para tanto, os responsáveis precisam deixar preconceitos de lado e aprender com as filhas pelo menos o básico sobre computadores e internet. "As famílias, principalmente os pais, podem contribuir muito para diminuir a exposição das adolescentes. Em muitos casos, aliás, é preciso primeiro promover a inclusão digital dos pais, para que esses se familiarizem com as ferramentas online e possam acompanhar mais de perto a navegação dos filhos", afirma Luiz.
Outro segredo é ouvir o que as garotas têm a dizer. Elas, por vezes, contam as situações que passam na rede a algumas pessoas. Se puderem confiar nos pais, a chance de as meninas se abrirem com eles e pedirem ajuda é imensa. Para Luiz, o melhor caminho é mesmo o diálogo, já que cada família está inserida num contexto social particular, especialmente num país tão diversificado como o nosso.
Então, a saída é conversar e ouvir as filhas para que a família encontre soluções satisfatórias para todos. E aí vão algumas dicas da psicóloga Cida para você orientar sua adolescente e conscientizá-la dos perigos online. "Diga para nunca falar com estranhos e explicar que todo estranho vai ser absolutamente gentil, educado, sedutor, correto, para ganhar a confiança inicial dela. Mas, geralmente esse príncipe encantado depois vira um sapo enorme".
Por Priscilla Nery (MBPress)
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