
As vezes agimos como umas pateta, não conseguimos fazer nada certo... Todas nós já passamos por isso. Não conseguimos fazer nada certo. Tentamos melhorar. Em vez disso, pioramos. Mas isso acontece quando estamos desesperadas.Vai-se ao lugar errado em busca da coisa errada. Como dizia uma querida amiga minha já falecida, "não se pode tirar leite na casa do carneiro".

É esse tipo de atitude, aquele tipo de desejo do ego de integrar-se a todo custo, que destrói o vínculo com a nossa alma. E então, em vez de uma mulher vital, temos uma mulher simpática, a quem foram arrancadas as garras. Temos, então, uma mulher bem-comportada, com boas intenções, nervosa, ofegante no anseio de ser boa. Não, é melhor, mais elegante e muito mais profundo ser o que somos e como somos deixando que os outros também o sejam.

Lidamos com o isolamento de outras formas ficamos presas no gelo que se transforma nossa alma, e ai nos congelamos. O congelamento é a pior atitude que uma pessoa pode tomar. A frieza é o beijo da morte para a criatividade, para os relacionamentos, para a própria vida.
Algumas mulheres agem como se conseguir ser fria fosse um grande feito. Não é. É um ato de ira defensiva.
Quando estamos frias representa que não temos sentimentos. Há histórias da criança congelada, da criança que não conseguia sentir, dos corpos presos no gelo, durante um período em que nada podia se mexer, nada podia se transformar, nada podia nascer. Um ser humano congelado significa que ele está propositalmente sem sentimentos, em especial para consigo mesmo, mas também e às vezes ainda mais para com os outros.

Quando os escritores, por exemplo, se sentem secos, áridos, sem vida, eles sabem que o jeito para voltar à fertilidade reside em escrever. No entanto, se eles estiverem presos no gelo, não conseguirão escrever. Há pintores que estão ansiosos por pintar, mas dizem a si mesmos, "larga disso. Seus quadros são estranhos e feios".
Existem muitos artistas que ainda não firmaram sua posição e outros que são veteranos de guerra no desenvolvimento da sua vida criativa, e mesmo assim cada vez que eles pegam da pena, do pincel, das fitas, do roteiro, eles ouvem "você só causa problemas. Seu trabalho é marginal ou totalmente inaceitável porque você mesmo é marginal e inaceitável."

Pegue o pincel e, para variar, seja má consigo mesma: pinte. Bailarina, vista sua malha, amarre fitas no cabelo, na cintura ou nos tornozelos e diga ao corpo que se mexa. Dance. Atriz, dramaturga, poeta, musicista ou qualquer outra. Em geral, pare de falar. Não pronuncie mais uma palavra sequer, a não ser que você seja cantora.
Tranque-se num quarto com teto ou numa clareira sob os céus. Exerça sua arte. Sabe se que o que está em movimento não se congela. Por isso, mexa-se. Vá em frente.


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